Caco Abismo

Vários produtos formam a instalação CACO ABISMO, produção multimeios, resultado de um mergulho profundo de Eduardo Borém em uma pesquisa artística onde traça paralelos poéticos entre cacos de cerâmica e seus cacos emocionais, paisagens sentimentais e relacionamentos passados, na qual cada obra enriquece o significado das outras e mostra uma faceta diferente do artista.

A partir de uma conversa, um café, fornadas de cerâmica perdidas e um poema, Eduardo Borém e RosaPinc resolvem unir seus olhares, criatividade, sensibilidade e arte para apresentar uma série limitada de mesas auxiliares que materializa essa amizade e parceria pela afetividade, pela ressignificação e pela coragem de tornar público emoções íntimas. A reutilização torna útil o que seria refugo, torna belo e escancarado o que seria vergonhoso e disfarçado, transforma caco em paisagem. Os artistas ressignificam, dessa maneira, não só matéria, mas também sentimentos e vivências.

 

Mesa Caco Abismo

SÉRIE LIMITADA Eduardo Borém + RosaPinc
2 PAs + 5 EDIÇÕES

 Cada mesa Caco Abismo é composta por uma base de madeira, uma coleção de cacos de cerâmica (remanecentes da produção de anos de trabalho de RosaPinc) e um tampo sobreposto de vidro. A série é limitada em apenas 7 mesas (2 PAs + 5 edições), assinadas e numeradas. Além disso, por conta da variedade e irregularidade dos cacos de cerâmica disponíveis, uma mesa é distinta da outra, tornando, assim, cada móvel uma obra de arte única e exclusiva. 

dimensões 60x60x34 cm
materiais cerâmica, madeira maciça de Pequi e de Rouxinho, vidro com cola UV


Junto ao móvel, são apresentados, também, poema e música (escrita, composta, arranjada e gravada pelo artista), cuja temática central são cacos emocionais; série fotográfica sobre paisagens de cacos, onde pedaços de cerâmicas viram montanhas (dando visualidade às palavras do poema) e série objetos de arte / instalações cujo material base são fotos do artista com ex-namoradas ao longo de sua vida, com os quais discute o valor e a importância dos cacos sentimentais, com as quais faz correlações simbólicas e materiais.

 

FOTOGRAFIAS PAISAGEns CACO ABISMO

A série fotográfica Paisagens Caco Abismo cria paisagens abstratas de montanhas imaginárias utilizando cacos de cerâmica. Cada uma das mesas da série foi reinterpretada, onde os respectivos cacos foram reagrupados, empilhados e iluminados de forma a dar a ilusão de estarmos vendo relevos de uma paisagem real.

São 7 imagens diferentes 30x45cm, com tiragem de 5 cópias cada.

cópias fineart em Papel Hahnemühle Photo Rag Baryta 315g, moldura em madeira tratada Caxeta Natural, adesivagem com PH neutro sobre placa de alumínio composto (ACM).

Objeto-instalações caco abismo

Os objetos de arte CACO ABISMO contam parte da história sentimental do artista, dos 14 aos 32 anos, mostrando seu desenvolvimento físico, enquanto folhas de ouro e cacos de cerâmica instigam e provocam a discussão da importância na construção e no desenvolvimento sentimentais que cada relacionamento de uma pessoa acarreta.

São 18 objetos únicos, com imagens, caco e folhagem a ouro 22k distintas.


Música Caco Abismo

Além disso, uma música foi composta e gravada a partir de um poema escrito especialmente para o projeto. A canção foi apresentada em loop (de maneira a não ser possível distinguir início e fim) em fones de ouvido posicionados em frente às obras acima para que servisse de trilha sonora para a contemplação e reflexão.

Eduardo Borém: Música, Letra, Voz, Piano, Órgão, Teclados sintetizadores, Sanfona e Programações Eletrônicas.

De repente
Da noite pro dia
Montanhas surgiram
Aqui neste lar
Ocuparam
A metade vazia
Onde antes dormia
Quem já não está

Não apenas
Na cama invadida
Substituíram
Aquele meu par
Habitavam
A sala, a cozinha,
O armário, a pia
O banheiro, o sofá

Eram íngremes
E me oprimiam
Causavam vertigem
Também mal estar
Se abriam
Rotina e caminhos
Em labirinto
E abismo fatal

sentimento deserto

e silêncio decerto,

são somente cacos,

meus pedaços
...

Se a princípio
Os tais precipícios
Causavam vertigem
Ais, dor, mal estar
É relevo
Dos mais que propícios
pra bom alpinista
o amor relevar

É possível
Escalar estes picos
Curar as feridas
Alcançar certa paz
Se eu seguir
Nessa trilha sozinho
Avistando em mim
A paisagem que jaz

sentimento deserto

e silêncio decerto,

sou somente cacos,

meus pedaços
...

***
Eduardo Borém, 08/2016

 

 

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